segunda-feira, 22 de setembro de 2008

MP entrará com ação contra Rodoanel


O Ministério Público de Santo André entrará com ação civil contra a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) por conta do isolamento causado pelo Trecho Sul do Rodoanel a 240 famílias do bairro Clube de Campo. Existe a possibilidade de que a ação peça a paralisação das obras até que a empresa apresente uma proposta para o problema.
O Rodoanel divide o Clube de Campo ao meio e a parte superior do bairro já começou a ficar isolada dos serviços básicos da cidade. Das quatro ruas que davam acesso ao bairro, apenas uma não foi bloqueada. Os pontos de ônibus estão a 40 minutos das casas, de acordo com os moradores. A contagem inicial feita do número de famílias na região era de 160, mas subiu para mais 80 numa segunda contagem.
Há sete meses, o promotor do Meio Ambiente, José Luiz Saikali, tenta um acordo com a Dersa para que as famílias fossem removidas. Mas, segundo ele, a empresa decidiu encerrar as negociações há duas semanas, optando por seguir os projetos já estabelecidos inicialmente para a região. “Não acho que a postura da Dersa foi correta. Se soubesse que não haveria como negociar, já teria entrado com a ação. O que a gente pode perceber é que não houve um estudo adequado das conseqüências da obra. Agora tenho que colocar tudo no papel com os elementos para entrar com a ação”, explicou.
A Dersa afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não fará nada que não esteja no estudo inicial das obras. Estão planejadas para a área de isolamento uma passarela, uma via de acesso ao Rodoanel que contornará o bairro e a canalização de um córrego.
O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) apresentou um plano de desapropriação das casas para o promotor, que foi rejeitado pela empresa. A proposta sugeria a desapropriação das 160 casas detectadas na primeira contagem. Das restantes, cerca de 40 também seriam ressarcidas, mas por valores menores. As outras 40 são chácaras de pessoas que não querem sair do isolamento e seriam anexadas ao território de Mauá. Em troca do trecho, a cidade cederia um trecho com vegetação próximo ao Parque do Pedroso para Santo André.
“Essas famílias ficarão sem acesso ao Centro da cidade e a serviços como unidades de saúde e escolas. A Dersa afirmou que não teria como realizar o projeto que apresentamos. Agora fica a cargo do juiz aceitar a ação que será movida pelo Ministério Público”, explicou o diretor de gestão ambiental do Semasa, Roberto Vasques.
Em fevereiro começaram a aparecer os primeiros problemas do isolamento das famílias. As chuvas de fevereiro alagaram algumas casas da região. “Eram os primeiros indícios de que havia problemas com o escoamento da água causados pelo Rodoanel”, destacou o promotor.
O operador de máquinas Lino de França, 43 anos, vive há 20 na rua Leão Marinho, que ficará na região superior do Rodoanel no Clube de Campo. Ele conta que os moradores não estão satisfeitos com a idéia da passarela sugerida pela Dersa. “Nossos filhos só terão essa via para poder ir a escola. Temos medo da situação à noite. Aqui estamos isolados, com apenas uma rua que dá acesso ao bairro, sem unidade de saúde”, contou.

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