Por: Vanessa Selicani (vanessa@abcdmaior.com.br)
Obras do Rodoanel no Clube de Campo, em Santo André: comunidade não quer ficar isolada. Foto: Luciano Vicioni
Parte do Clube de Campo ficou isolada pelo anel viário; cerca de 240 famílias vivem cercadas pela obra e pela Billings
Vizinhos há 30 anos da represa Billings e do que resta da Mata Atlântica em Santo André, os moradores do bairro Clube de Campo convivem desde 2007 com os percalços de estarem ao lado da maior obra viária do Estado de São Paulo, o Trecho Sul do Rodoanel. Nos primeiros metros da avenida Mico Leão Dourado, principal via do bairro, o vazio aberto no meio das árvores denuncia a futura passagem e também o isolamento de parte do bairro. Divido em dois, o Clube de Campo iniciou desde o começo deste ano uma batalha com o Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) para que 240 casas restantes do lado superior do bairro sejam desapropriadas.
Para os moradores separados pelo Rodoanel, a obra torna mais difícil o acesso aos serviços públicos como unidades de saúde e escolas. A empresa afirma que construirá uma passarela para viabilizar o acesso à escola que fica do outro lado do bairro, e a duplicação da avenida Mico Leão Dourado. A discussão chegou ao Ministério Público e ao Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), que querem as desapropriações.
Se os imóveis saírem da região, a área desapropriada será reflorestada pelo Semasa e reincorporada ao Parque do Pedroso. Apesar de viverem em áreas de proteção, os moradores das ruas Leão Marinho e Tatupeba, da parte isolada do bairro, têm escritura dos imóveis. A área foi loteada na década de 1970.
O preço baixo dos terrenos foi o principal atrativo para os munícipes. A comerciante Juliana de Oliveira, 35 anos, aguarda até hoje pela chegada da água encanada e dos ônibus. “Quando vim para cá não tinha essas coisas ambientais. O melhor é que tirem todo mundo daqui”, disse.
O comerciante Elias de Oliveira, 47 anos, diz que o isolamento não é o maior percalço, já que o Rodoanel facilitaria o acesso à Capital. “Acredito que a desapropriação será feita de qualquer forma, já que essa área interessa ao Semasa por causa do reflorestamento. Então é melhor que seja feita agora.”
Ação - O Ministério Público de Santo André entrará com ação civil contra o Dersa por conta do isolamento causado às 240 famílias do bairro Clube de Campo nos próximos dias. Existe a possibilidade de que a ação peça a paralisação das obras até que a empresa apresente uma proposta para o problema.
Há sete meses, o promotor do Meio Ambiente, José Luiz Saikali, tenta um acordo com o Dersa para que as famílias fossem removidas. Mas, de acordo com o promotor, a empresa decidiu encerrar as negociações há duas semanas. “Não acho que a postura do Dersa foi correta. Se soubesse que não haveria como negociar, já teria entrado com a ação. O que a gente pode perceber é que não houve um estudo adequado das conseqüências da obra”, explicou.
O Semasa apresentou ao promotor um plano de desapropriação das casas, que foi rejeitado pela empresa. A proposta sugeria a desapropriação das 160 casas detectadas na primeira contagem. Das restantes, cerca de 40 também seriam ressarcidas, mas por valores menores. As outras 40 são chácaras de pessoas que não querem sair do isolamento e seriam anexadas ao território de Mauá. Em troca, a cidade cederia um trecho com vegetação próximo ao Parque do Pedroso para Santo André. (VS)
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário