
Os freqüentes protestos e paralisações em canteiros do Trecho Sul do Rodoanel estão revelando as condições precárias de trabalho na obra viária. Em São Bernardo, 700 funcionários do Lote 2, no Jardim Jussara, cruzaram os braços por sete hora na terça-feira (08/04), até que o Consórcio Arco Sul recebesse sua pauta de reivindicações. Já em Santo André, 70 trabalhadores dispensados pela Pavigale receberam apenas 50% da verba rescisória e terão de recorrer à Justiça do Trabalho para garantir seus direitos.
“Deveria haver uma avaliação melhor para saber se a empresa que está sendo contratada tem, pelo menos, condição de cumprir as obrigações trabalhistas e previdenciárias de seus funcionários”, afirma Luiz Carlos Biazi, presidente do Sindicato da Construção Civil e do Mobiliário de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que vai encaminhar o processo trabalhista dos ex-funcionários da Pavigale.
A empresa foi contratada e dispensada pelo Consórcio Andrade Gutiérrez e Galvão (com sede administrativa em Mauá), que assumiu a responsabilidade de quitar as dívidas. Para o dirigente sindical, os problemas podem comprometer o cronograma de execução das obras do Rodoanel. “Uma empresa que no primeiro mês de serviço atrasa o pagamento tende a provocar um resultado negativo no andamento da obra”, avalia.
Negociação - No Lote 2, a negociação está sendo acompanhada pelo Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Moveleiros de São Bernardo e Diadema). “Foi montada uma pauta e entregue à empresa. Aguardamos retorno”, comenta Cláudio Bernardes da Silva, diretor do sindicato. Em São Bernardo, o piso para o cargo de ajudante é de R$ 673, contra uma remuneração aproximada de R$ 654 recebida no canteiro do Lote 2.
Os trabalhadores também reclamam do valor da hora extra, cerca de 50% da hora normal de serviço (em outros locais, é 60%). “Não compensa, é uma mixaria”, critica o funcionário Pedro Barros. A reportagem entrou em contato com o Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), que prometeu enviar resposta sobre o assunto – o que não ocorreu até o fechamento desta edição.
Ameaça de greve no Pólo - Cerca de 2 mil trabalhadores da construção civil que atuam dentro do Pólo Petroquímico de Capuava ameaçam entrar em greve caso seus problemas não sejam resolvidos. Na quarta-feira (08/04), 1,4 mil funcionários da UTC Engenharia paralisaram o expediente por quatro horas. Na ocasião, uma assembléia organizada pelo Sindicato da Construção Civil e do Mobiliário de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra definiu a pauta de reivindicações, que foi entregue no dia seguinte à empresa.
A pauta servirá de referência para todos os trabalhadores locados no Pólo. Por isso, se não for atendida, provocará nova paralisação dos trabalhadores da UTC, com adesão de outros 600 de outras três empresas: Andrade Gutiérrez, Engecic e Fast Engenharia. “O pessoal está reivindicando aumento de salário e já houve uma paralisação. Fizemos a pauta abrimos prazo de negociação com a empresa”, resume Luiz Carlos Biazi, presidente do sindicato.
Além da correção salarial pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mais 15% de aumento real, os funcionários da UTC estão reivindicando jornada de trabalho de 40 horas semanais, convênio médico gratuito, prazo de experiência de 30 dias, direito de organização no local de trabalho, seguro de vida, crédito de alimentação, melhorias nos alojamentos e reembolso de passagem rodoviária.
Eles pedem ainda adicional de horas extras:100% para horas semanais, que hoje é de 60%, e 150% para horas trabalhadas nos domingos e feriados, que hoje é de 100%. (MP)